quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Olhando da janela..

Ao lado de onde estudo tem uma favela. Onde passarinhos e micos circulam livremente. O galo fica do lado de lá do muro, mas ele se faz presente toda manhã do lado de cá quando o escutamos. O lixo de lá não é o mesmo que o daqui, nem a pobreza é. Se derrubassemos o muro, o galo também circularia livremente. A pobreza não acabaria, nem o lixo. Só exerceríamos o que propõe uma universidade "pública, gratuita e de qualidade": a troca.



25/09/09

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Eu não sei ser assim.
Eu não sei ser de outro jeito.
Tentei. Não sei nem porquê.
Por esporte, por convicção,
por esperança. Por tentar.
Não tento mais.
Sou de outro jeito. Só.

Às vezes, não sei quem ele é.
Ah! Mas ele também não sabe..

domingo, 13 de setembro de 2009

leve a vida leve..

sempre tive medo da vida
desde pequena
hoje descobri o porquê
nasci ansiosa
precisava de mais tempo

ter essa consciência ajuda
mas não resolve
não sei o que resolve
se resolve
tento

mas tenho vivido leve
apesar das tarefas cotidianas
apesar da insegurança de cada dia

vivo. leve como a brisa que passa


12/09/09

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"A vida não é filme, vc não entendeu"..




(só pq está há dias na cabeça, sem motivo. então escrevo tb sem motivo.)

domingo, 12 de julho de 2009

Assim sem mais..

Tempos difíceis de falta de inspiração
Aliás, falta de quase tudo
Falta de energia que me é tão vital
Falta de coragem
Falta de tanta coisa em um mês que me assustei
Aliás, me assusto fácil
e não sabia ou sabia?

Descobrir dificuldades pode ser bem doloroso, e foi
mas também foi um exercício incrível de paciência
e de descobertas
umas que eu já tinha descoberto antes e outras que nem imaginava

Tempo de retrabalhar, de resignificar, de recriar
e de inventar atividades novas
não é fácil, mas é possível
ainda - ou já - estou tateando os próximos passos
mas com leveza

Sei que cuidado não se paga
carinho, amor, tampouco
então, agradeço com muita força
todo amor, todo carinho, todo cuidado
que eu tive, que eu tenho e que sei que é pra sempre,
como poucas coisas são

A única dúvida que não tive foi quanto a esse amor
E é recíproco.
Assim sem mais..

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Dessas coisas que a gente gostaria de ter escrito..

além do qualquer
(fred martins e manoel gomes)

por gostar tanto do mundo/não pode ser qualquer mundo/meu pano de cena/
por querer tão bem à vida/não deverá qualquer vida/assim valer a pena/por
viver tão plena arte/jamais será qualquer arte/meu campo de pouso/por amar
forma de gente/não me encanta qualquer gente/e um verso qualquer não ouso

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Houve um tempo em que o que se tinha era bastante.
De muito, não se precisava, na verdade, quase nada.

Houve sim um tempo de desassossego.
Desassossego morno esse, quase tranqüilo.

Houve ainda um tempo de lembranças fartas das noites estreladas,
Ventania fria que passa ligeira,
Grito repetido de onda a bater em pedra sem cessar.

O hoje é fragmento de tempo.
Pedaço que se desprende de passado e futuro.
Como se desprendem de pai e mãe, meninos criados.

O hoje em qualquer tempo é tentativa bruta,
Que se procura colocar no vazio de alguns silêncios.



Juliana Veiga
03/12/08



"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.

Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noite em que, ainda criança, li pela primeira vez numa selecta o passo célebre de Vieira sobre o rei Salomão. «Fabricou Salomão um palácio...» E fui lendo, até ao fim, trémulo, confuso: depois rompi em lágrimas, felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquele movimento hierático da nossa clara língua majestosa, aquele exprimir das ideias nas palavras inevitáveis, correr de água porque há declive, aquele assombro vocálico em que os sons são cores ideais - tudo isso me toldou de instinto como uma grande emoção política. E, disse, chorei: hoje, relembrando, ainda choro. Não é - não - a saudade da infância de que não tenho saudades: é a saudade da emoção daquele momento, a mágoa de não poder já ler pela primeira vez aquela grande certeza sinfónica. "
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"deslize na superfície".. ou..

Gosto das águas profundas. Da natureza que não se mostra completa, porque não está nem é. É ali - ou nessa lonjura - que acho os sentidos. Mas o profundo, o distante, o incompleto é o que me sobra de próximo, concreto, de possível.

domingo, 16 de novembro de 2008

Incrível como uma conversa pode desanuviar dúvidas homéricas..
Clarear o breu que já se sabia, mas não se sabia como..

Incrível o poder de uma conversa num momento preciso..
De decisão..

Mais incrível a capacidade de um amigo te fazer virar o jogo no segundo tempo de um dia parcialmente nublado.. (depois de você já ter tentando o dia inteiro)
Virar o jogo..
Ter o domínio da bola, mas só até o próximo abismo..

E rir..
E viver..
E gostar..


Gracias, chica! Hasta!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A descoberta do mundo

"fora das horas em que escrevo,
não sei absolutamente escrever.
será que escrever não é um ofício?
não há aprendizagem, então?
o que é?
só me considerarei escritora no dia
em que eu disser: sei como se escreve."


"o que eu sinto eu não ajo.
o que ajo não penso. o que penso não sinto.
do que sei sou ignorante. do que sinto não ignoro.
não me entendo e ajo como se me entendesse."



C.L