quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

a vida dos outros. brilhante.
lembrei da música do caetano podres poderes, do filme o leitor e de algum outro que tem rondado a minha cabeça, mas não acho o nome.
memória é uma coisa doida. todas. as coletivas, as individuais, as forjadas, todas.
uma memória infantil/juvenil/inocente: descobrir estudando história na escola que sistemas socialistas podiam ser ditatoriais.
algumas coisas ainda me chocam. essas me chocaram menos depois que li a revolução dos bichos, já esta época distante, mas marcante.
não chocam mais. comovem. co-movem, movem pra onde?



08/01/15

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

De longe não seria nada
De longe não era
Mas perto ficava mais perto
E de perto até que podia

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ontem foi um dia histórico. Votação acirrada.
Não vou falar que o amor venceu o ódio, porque não venceu.
O ódio continua na fala das pessoas na rua e nas redes sociais.
O caminho é longo, mas seguimos juntos. Discutindo, dialogando, nas ruas, nas escolas, universidades, grupos de amigos, no facebook.
Não vou falar hoje de política partidária, apesar de importante, gosto mais das micropolíticas, da política do cotidiano.
O que mais me indigna? Difícil. Me indigna injustiça, todas. Contra gays, pobres, pretos, contra o Nordeste. Esta saída do armário recentemente, pelo menos com a força que tenho visto.
Triste tanto ódio e preconceito. Mas prefiro vê-los a não vê-los. Saiam todos do armário!
Esses microfascismos cotidianos. Horrivelmente iguais a todos os outros.
Ma(i)s fáceis de esconder. Saiam todos do armário. Que quero apontar e dizer que são iguais a todos os outros. Não há diferença entre o seu de hoje, de ontem, contra gays, pretos, pobres e nordestinos, dos do século XX, logo ali atrás. Tão presentes.
Dia histórico pra mim. Pela chuva real e tão simbólica, pega de surpresa. Na rua.
Pela Angela Davis vista no Cinema da Uff, depois de tantos anos.
Teria sido morta. Acusada de três crimes. Manipulados por um Estado assassino que mata preto e pobre com uma facilidade assustadora.
Como o nosso. Lá teria sido com a pena de morte, aqui, na favela, na rua. Todos os dias.
Libertem Angela Davis e todos os presos políticos, Libertem Rafael Braga Vieira.
Ambos presos políticos e pretos. Ambos inocentes.
Manifestações nas ruas.

Ele pobre. CONDENADO.



27/10/14

30 num piscar..

Nada que eu diga resume o que a gente viveu nesses 30 anos.
E nada que eu imagine reflete o que a gente ainda vai viver.
É fácil adivinhar que já choramos e rimos juntas. 
Que dividimos preocupaçõs, segredos, o quarto.
Que passamos por momentos parecidos em épocas diferentes e
momentos completamente outros ao mesmo tempo.
Uma dificuldade enorme e como resposta, uma leveza que eu não sabia ser possível.
Somos irmãs.
Imensamente diferentes, mas tão imensamente iguais.
Não lembro da minha vida sem você - porque ela nunca existiu.
Sorte a minha ter você do meu lado, compartilhando amor.
Sempre.



13/08/14

Duas pessoas se conheceram no ônibus. Passaram a viagem toda conversando. Parecia que se conheciam há anos. Falaram dos amores, trocaram conselhos, confidências. Riram das dificuldades e compartilharam alegrias. Trocaram telefones e combinaram data para se ligarem. 

Uma de uns 60 anos, e a outra de uns 20 e poucos que tinha uma bebezinha linda no colo - quietinha, com um laço vermelho na cabeça, olhos serenos e dedinhos que vez ou outra procuravam as mãos da mãe.

Diferentes, mas igualmente corajosas. 

Torço para que sejam amigas. Torço para que continuem a se encontrar pela vida, por novos caminhos.




10/06/14

sábado, 12 de julho de 2014

Paro num blog e penso. Como é possível descobrir tantas coisas de uma pessoa, sem que ela saiba. É mesmo uma afirmação. O início do amor, o nascimento de um filho, uma declaração ao amigo.  E mais desabafos, angústias, mais declarações. Uma vida.

Os anos em que mora na mesma cidade, o fascínio pelo mar. Tudo. O que importa da vida não é isso? Inspirador, misterioso e também um pouco frio. Descobrir o mês de aniversário, que é o mesmo que o seu, apesar dos signos serem diferentes. Descobrir idade, afinidades.

Ouvi uma vez que blog é uma forma de guardar memórias. Gostei. E a partir dali encarei o meu também dessa maneira. Gosto de pensar que ele é talvez, para além de outras coisas que um blog pode representar e representa, o melhor jeito que tenho de contar a minha história. Não uma história linear e descritiva, mas uma que me permita mais pra frente e a todo momento ler, reler e observar minhas construções e incoerências. Além de todo o resto. Muitas vidas vividas em uma só.

A pergunta que se aproxima agora é o que fazer com tudo isso.

Vi recentemente um filme chamado A Dupla Vida de Veronique. Posso usar de algumas estratégias, começar por algum assunto em comum, mas de um jeito ou de outro não tenho nenhuma garantia que essa conversa entre mim e o autor do tal blog renda outras conversas. Talvez por isso mesmo eu tenha lembrado do filme. E se?

O tudo isso a que me refiro ali em cima é meu. É a única certeza. Pode vir a ser compartilhado no blog. O meu. Para virar uma memória minha. Inventiva, curiosa.

Algumas coisas que escrevo, invento. Ou seria: algumas coisas que invento, escrevo?
E pode ser que dessa vez, eu tente escrever/inventar de outro jeito. 

domingo, 25 de maio de 2014

Estou muda. Sensações do corpo/alma que palavras não dão conta.
Entendi há pouco que nada tem a ver com a falta de inspiração. (Im)posto isso, pega-se o caderno, é inevitável.

Mesmo que pela inspiração, palavras são códigos para o uso da razão nossa de cada dia. Mas as sensações das quais agora falo nada têm a ver com ela. Constatação recorrente esta.
Estou a repetir o mesmo de formas diferentes. Ando em círculos?
Vo(o)u em espiral. Mais sábio, talvez. Sabedoria sem razão esta.

Voos diferentes, sensações outras, pensamentos nulos. Inspirar ex-pirar.
Inspirar tem doído, o expirar é alívio.
Liberdade boa essa. Brincar com as palavras.
Palavras poderiam ser usadas para extravasar as sensações não ditas,
porque o indizível existe para quem sabe olhar. E olhar também se aprende.
O caminho final não seguiu a trilha original. O equilíbrio de um segundo vira dúvida, espera.
Tenho procurado sentido para a morte. No fundo – ou no lugar que se guarda a incompreensão – é isso.
A espera suspensa no ar não traz resposta além da sensação de espera, que é vazia.

Então fico entre a espera e a inspir(ação)
                                            expir(ação)

Despir a ação deve ser igual a esperar a espera, para que ela traga alguma esperança.

                                                                                        (que é sorriso ao final da espera)

domingo, 22 de dezembro de 2013

O que não pode ser curado, precisa ser aceito.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Querido Rafa,

Na época, pode não ter feito nenhum efeito. Mas hoje é das frases mais lindas. Obrigada.

"Cartilha da cura

As mulheres e as crianças são as primeiras que
desistem de afundar navios"
Ana C.
as expectativas de sábado ficaram pra trás
como a vista vista da janela de um carro.

mesmo quando não escrevo, escrevo.
também com língua, olhos e pensamento
escrevo escovando os dentes.

minha última tentativa forçada, não vingou
deixei pra depois.
tenho visto hipocrisia e revoluções.
gosto porque
é a mesma moeda
limitada por fronteiras invisíveis.

boa parte de nós é invisível. a parte maior.
mas vejo diariamente mini exposições de janelas distintas.


tenho um lado preguiçoso que não me deixa falar.

converso comigo.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Saí para trabalhar. Juro. A intenção era mesmo essa. Tudo planejado no dia anterior. A manhã correu assim, como quem trabalha sem pressa, a andar pelas ruas do centro. Conheci ruas que ainda não tinha me dado conta, e a sensação que há muito não me preenchia. Até cartão de telefone comprei. Era um ritmo antigo com algum ar de novidade, que não sabia de onde vinha. Meio do dia, fiz mais alguns contatos, despreocupados, mas ainda era trabalho. Vi exposição, e ainda tem teatro pra hoje. Gostei de Nan Goldin e Dominique Gonzalez. Para fechar o que ainda nem acabou, encontrei dentre livros de possibilidades, Leminski em prosa. Será que ainda vem mais? Se puder, quero guardar um pouco pra amanhã, e depois, e depois, e depois.




12/06/13

sábado, 9 de março de 2013

sobre tempo

Engraçado como o tempo pode ser subjetivo.

Olhei pro relógio e é tão cedo ainda.

Gosto quando o tempo passa devagar e me deixa fazer as coisas no meu tempo, às vezes lento..


05/03/13

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Todo amor é uma aposta
E é o tempo que mostra
se ele se sustenta ou não


06/03/13




sexta-feira, 8 de março de 2013

vivo sincronicidades absurdas
vivemos todos
é só questão de sensibilidade percebê-las

pode viver assim todo dia?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

nonsense

Tenho que fazer um trabalho. Estou enrolando. Aliás, tenho enrolado bastante, não só para o trabalho.
Tenho acordado assim. Não é pois, uma decisão. É talvez uma condição. Não de todo dia, mas tem sido frequente.
Uma amiga enviou um trabalho dela que pedi e resolvi então, lê-lo ao invés de fazer o meu.
Bom. Muito bom. Me fez (está fazendo) reunir alguns pensamentos de ultimamente, mas principalmente, sensações que até agora não tinha conseguido transformar em palavras. O que se segue então são assuntos relacionados, ou que eu tenho relacionado na cabeça (e não só lá) desorganizadamente.

No momento que li de novo o trecho me arrependi de não ter escrito a frase que me passou pela cabeça quando li aquele trecho no livro. Agora ela me faz falta. Mas o trecho é mais ou menos assim. O tom de diário do livro dela é inventado, forjado como forma de atingir o leitor. Mesmo com o tom íntimo, não se chega (nunca) à intimidade mesma na escrita. Concordo. Mesmo que o diário fosse de verdade, pois que existem diários de verdade, a intimidade total não se dá porque se imagina que ele possa ser lido. Ou porque intimidade não possa ser “comunicável literariamente”.
O texto e o livro me fizeram (re) pensar nisso. A escrita, literária ou não, acadêmica ou não, íntima ou não é sempre forjada, de um modo ou de outro. Simplesmente porque se pensa que alguém lerá um dia ou poderá fazê-lo, então artifícios são usados. Comigo é assim, apesar de continuar achando bem biográfico o que escrevo.

Viu. Penso em algumas coisas, mas não escrevo. Quero escolher o que cabe melhor aqui. Penso se vou falar da estética. Não. Mas acho que tem a ver com isso também. Cadê aquele trecho? Não acho. Já havia me prometido não voltar ao texto. Escrever a partir do que ficou dele em mim. Partes importantes seriam perdidas, puladas. Mas sempre são, não? Não há como ser diferente. Aí lembro das questões de memória e verdade. E a palavra forjada aparece de novo. Ambas forjadas, posto que outras memórias e verdades são esquecidas. Aqui também há artifício.

Bem, a estética. Concordo com Clarice que não há separação. Forma e conteúdo são uma coisa só. Mas a Ana também brinca que queria fazer design gráfico para inventar o livro antes do texto (era o trecho que queria achar). Concordo também. Tanta gente diz coisas parecidas, mas a forma, deus, como é diferente. Estética não é isso?
“Onde o limite? Desde onde o limite?”

Clarice mesmo. Acabei de ler Perto do Coração Selvagem. Não é difícil por ser hermético. É justo o contrário. Como acompanhar com o pensamento o que é pra ser sentido? Como entender algo que não se diz com palavras? E como poderia ela dizer senão com palavras?

Confluências. Não tenho conseguido achar palavras. Mais: não tenho conseguido achar. E não acho palavras para dizer o que.

 

eu no trabalho. trabalho em mim.

eu no trabalho criativo. meu trabalho criativo. criatividade em mim no trabalho.

eu criativo. ócio criativo. criatividade em mim.

 

Meu intestino não vai muito bem, acho que anda reclamando.
Talvez se soubesse gritar, gritasse. Eu não grito, fico muda.
Fui procurar. Intestino na apostila de reiki. O chakra raíz ou era o umbilical? relacionado também ao intestino diz respeito à criatividade. Não lembrava. Só lembrava que “toda doença começa no intestino”. E que o intestino é o órgão mais importante, depois do cérebro. Será porque ali está a fonte da criatividade? Quando esta começa a minguar, a doença aparece? Seria assim?

Gosto da filosofia oriental, em especial a indiana. Quero ler sobre isso. Quero ler Spinoza e Artaud também. Ia mandar um email pro André pedindo referências e não mandei.

É que outro dia estava pensando de novo, por conta de uma conversa, na vida artista do Artaud. No que ele fala sobre isso. Há tempos quero ler e nada ainda. A conversa foi intrigante. De novo: confluências. Segundo ele, e pelo muito pouco que sei sobre isso, a vida artista é vivida no cotidiano. Não vou me atrever a falar mais sobre isso pra não falar abobrinhas. Mas a primeira relação que me vem à cabeça é da arte contemporânea: arte e vida juntas, inseparáveis. Realizada por não-artistas (lembrei de dois textos legais. a educação do não-artista I e II, Allan Kaprow). Como nos primórdios. E lembro de novo, de como o Ocidente tem por hábito separar as coisas.

Talvez, com a ajuda da internet, estejamos caminhando pra isso que vem propondo a arte contemporânea de um modo geral. Possibilidade de gravar o próprio vídeo, de editar o próprio livro, de fazer a própria música. Acesso. Acesso ao cd do fulano, do livro digitalizado..

Sou do grupo que acredita que o acesso e a gratuidade desses bens culturais são inevitáveis e ótimos para a sociedade. Mas indo direto ao ponto: escritores e músicos vão viver de quê? Artistas vivem de quê?

 

Vive-se de quê hoje?

 

Se vivêssemos todos como artistas, como sugere a arte contemporânea e talvez Artaud, não sei, e como preconiza a internet, sob um determinado aspecto. Sem vendê-la (a arte).

Virei o ano num sítio no mato. A condição era a mesma de agora, mas parecia viver apenas ao invés de enrolar. Me parecia mais saudável. E produtivo. Por que a diferença abissal então?

A lógica era outra. E com ela todo o resto: o ar, o verde, o rio, o balanço da rede, o almoço, o tempo.
Descobri depois da leitura do texto, que é essa A lógica que corresponde as minhas sensações (agora e sempre? agora e nunca mais?). E não há negociação, achei que havia, não há. Não é a mudança de trabalho somente, é a mudança de uma lógica que engendra todos os aspectos da vida. Se se quiser viver.

 
vida expressão. vida sensação. vida criativa. vida artista.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Não se preocupar com a hora
Fazer, sem pressa, o almoço
Não se importar com a chuva
Não ter quê.
Viver apenas. Respirar.

Se permitir a distração sem utilidade
Se adaptar à falta de pressa, à falta que o futuro faz
Não esperar nada além da certeza da sede:
De chuva, depois do calor.
De dia, depois do sono.


--



Ficar na rede por muito tempo me deixa zonza. Mesmo sem seu balanço. Mesmo sem a leitura, fico zonza. Acho que é o silêncio - apesar do barulho do rio, que agora já faz parte do silêncio, ou das mangas que se precipitam sobre o telhado, esse sim ainda causa sobressalto. Silêncio de pensamento, de sentimento, de sensações até. Pode isso? É possível? Não sei. É bom? Não sei. É, apenas.
 



03/01/13
 




ano novo

Que 2013 seja pleno
Nem cheio, nem vazio
Pleno

Pleno de paz interior
Pleno de amor universal
Pleno de energia
De saúde

Pleno de trabalho criativo, de coração em festa!

Pleno de cores e boas surpresas.





31/12/12

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013


Revisitar, visitar, tornar a visitar, revisitar de novo

Não há novo. Não há nada se nada for feito.

Ano novo de novo. De novo e novo.

Redundâncias não espantam, espanta o trabalho de fazer novo, de novo e sempre.

Mais espanta o não fazer.



Internet, só da varanda

Banho, só de piscina natural

Música, só da vitrola

Dormir, só ao barulho do rio





Não precisa ser poeta para fazer poesia aqui

Livros, por toda parte

Quadros, objetos, bancos, imagens

A mata é nativa e abundante

A casa parece, sempre esteve ali, nasceu ali

Junto com quedas d`água, bichos e árvores

A poesia vive, se alimenta

O olhar não captura, é capturado a todo instante

Tudo absolutamente, mesmo inanimado, fala por si.



30/12/12

sábado, 15 de dezembro de 2012

A mesma sensação nascida com a mesma leitura. Só os livros eram diferentes. E a mesma apreensão de quem está prestes a descobrir algo. Uma surpresa, ainda que mais branda.
E justo num dia que fica difícil não entender como um sinal. Sinal de uma verdade que só pode existir na minha cabeça. Que diferença, então, ser ou não verdade?
(Ainda não sei a importância que dou a redescoberta. Talvez melhor seja não dar nenhuma).
Agora imagino ter sido uma intuição. De qualquer jeito, ambas são irracionais. Não poderia ser de outra forma.
Intuição porque segundo Clarice, esta é uma reflexão profunda e inconsciente que emerge.
Agora me parece ser a sensação ainda mais irracional. Se aquela, mesmo que inconsciente, é uma reflexão, o que seria esta, a sensação?
Sentido puro, íntimo, intransferível, incompreensível..
A mais próxima experiência de sentí-las ao mesmo tempo, perplexa e muda.





12/12/12

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Foi uma viagem curta
Da praça XV até aqui
Usava um tênis cano alto
Eu também
Sentou atrás de mim, mas no meio do caminho mudou-se para a frente
Abriu o livro, folheando-o, até parar numa página
Tentei ler o título
Não conegui
Ouviu música
Chegamos
Desci primeiro
Vi quando desceu a escada
Depois nos perdemos
Dei alguns passou e olhei para o lado
Estava lá com seu guarda-chuva verde
O meu era lilás
Combinavam
Atravessou a rua na minha frente
Naquela altura já esperava que pegássemos o ônibus no mesmo ponto
E demos sinal para o mesmo ônibus (achei graça)
Sentei na frente
Imaginei saltar no mesmo ponto
Talvez não resistíssemos as coincidências e ríssemos
Perguntaria a minha rua e eu, o nome do livro que estava lendo
Mas não
Desci no meu ponto
Me olhou pelo vidro
Nos despedimos.





15/11/12

Para meu pai em homenagem aos 50! Que venham mais cinquenta, a despeito das dores de coluna.. ; )

Sonhou com os amigos de há trinta anos atrás. Não havia encontrado com nenhum deles recentemente, mas teve vontade de passar pela rua em que jogavam bola. Não reconheceu a vizinhança de agora. Prédios ocupavam o lugar das casas e a tranquilidade de antes dava lugar a pressa dos carros de agora.
Eram outras pessoas, outros tempos.
No sonho, eles se reencontravam nessa rua, antes tranquila. Mas percebiam que já não estavam na mesma forma. Se antes, a rua era o quintal de casa, onde a vitalidade era traduzida em brincadeiras e jogo de bola, hoje a conversa era sobre problemas de coluna, dores no joelho e nas juntas.
Tudo estava mudado. Rostos, corpos e sonhos. Só a lembrança persistia em se fazer jovem.
Depois daquele encontro, não os viu mais.
Provável que demorasse para passar por aquela rua novamente. O cenário e o contexto eram outros. E jamais voltariam do passado. Tinham ficado por lá.
 
 
 
08/11/12
 
(Os homens estavam mais velhos, mas as casas, no sonho, continuavam lá. Frase que motivou a escrita e que não foi usada..)